Os diálogos para a construção da Estratégia Brasil 2050, projeto coordenado pela Secretaria Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram abertos no dia 17 de junho, em evento na sede do banco, no Rio de Janeiro, com o objetivo de buscar caminhos para a elaboração do planejamento do desenvolvimento sustentável e a construção de um Brasil mais inovador, inclusivo e competitivo nas próximas décadas. A Estratégia 2050 busca garantir uma maior previsibilidade na atuação governamental, melhora do ambiente de negócios e aumento da transparência. O ano de 2050 foi escolhido como meta por ser um marco intermediário do século e por estar alinhado com as metas globais de neutralidade de emissões de gases de efeito estufa. No caso brasileiro, há ainda a previsão que, até esse ano, aconteça a inversão na pirâmide etária, o que exigirá ajustes nas políticas públicas nas áreas de saúde, assistência social, educação e trabalho. O encontro reuniu especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir sobre os principais eixos da estratégia e as oportunidades para um futuro mais próspero e sustentável para o Brasil. As principais pautas do encontro foram as mudanças climáticas, as desigualdades regionais e a transição demográfica.

A secretária de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Virgínia de Ângelis, disse a Estratégia Brasil 2050 quer construir uma agenda de Estado suprapartidária, com ampla participação da sociedade civil e do setor privado, para criar uma visão de futuro agregadora e coerente para o país. Dobrar o PIB per capita, reduzir a desigualdade para o nível de 0,40 no Índice de Gini, erradicar a pobreza, igualar a renda do trabalho de homens e de mulheres no mercado formal e tornar o país neutro em emissões de carbono são alguns dos objetivos da Estratégia Brasil 2050 destacados por ela.

Ângelis apontou também a necessidade de o governo e a sociedade enfrentarem as desigualdades regionais, dizendo que “apesar de estarmos entre as 10 maiores economias do mundo, permanecemos entre os países com piores índices sociais. Precisamos fazer um desenvolvimento econômico que não condene os pobres, considerando a inclusão e a justiça social como premissas para os resultados que buscamos.” Para isso, ela defendeu maior previsibilidade e segurança jurídica para gerar novos investimentos no Brasil, além da necessidade de sincronizar a Estratégia Brasil 2050 com outros instrumentos de planejamento de longo prazo.

Já a diretora de Pessoas, TI e Operações do BNDES, Helena Tenorio, destacou a importância do banco nesse esforço. Ela lembrou que, segundo a Bloomberg, o BNDES é o maior financiador de energias renováveis do mundo, com créditos que somam cerca de US$ 36,4 bilhões entre 2004 e 2023 e comentou outras duas grandes transições em curso no país: a demográfica, marcada pela aceleração do envelhecimento populacional, e a tecnológica, com os impactos da inteligência artificial em diferentes setores. “Planejar o futuro exige atores públicos capazes de pensar e atuar com instrumentos eficazes para induzir transformações. Nesse contexto, o BNDES reafirma seu papel como instituição que pensa além dos ciclos de curto prazo”, destacou Helena.